EDIÇÕES

#019: UMA PERNA MAIOR QUE A OUTRA

de José Feitor


Fanzine A5 com 48 páginas impressas a laser (Epson Aculaser) em papel Renovaprint reciclado de 120 gr.
Capa serigrafada em papel Guarro de 185g. Edição de 100 exemplares numerados e carimbados.
Pré-impressão, Impressão e pós-impressão pelo atelier Serra Nevada

Cada volume inclui um postal e uma reprodução de uma fotografia captada em 1977.

Apresentação
José Feitor ajusta contas com memórias que hoje lhe parecem tão assombrosas como as cenas de um filme de ficção. O confronto com esse passado foi desencadeado pelo primeiro contacto com o livro de fotografias de António Gonçalves Pedro, de Mora (ed. Câmara Municipal de Mora, Set. 2003). Muitas das imagens resultam de apropriações gráficas dessas fotografias. Deformação, vergonha e culpa no trabalho mais pessoal e pungente deste ilustrador.


#018: WAR IS HOOVER

de Filipe Abranches


Fanzine A5 com 32 páginas impressas a laser (Epson Aculaser) em papel Xerox reciclado de 80 gr.
Capa impressa em serigrafia sobre cartolina Kraft de 240g. Edição de 75 exemplares numerados e carimbados.
Pré-impressão, Impressão e pós-impressão pelo atelier Serra Nevada

Cada volume tem 2 postais.

Apresentação
Filipe Abranches presta homenagem a uma das fontes do imaginário de uma geração: as BDs de guerra clássicas americanas, ao mesmo tempo que as desmonta e sublima. Através de um olhar que mescla humor e cinismo, este trabalho, servido por uma expressão gráfica inconfundível e irrepreensível, mergulhamos no absurdo dos conflitos bélicos.





#017: ESTÁTUA FALSA

de Tiago Baptista


Fanzine A5 com 32 páginas impressas a laser (Epson Aculaser) em papel Renova print RPC de 120 gr.
Capa impressa em serigrafia sobre cartolina do Prado (ref.: Terra). Edição de 100 exemplares numerados e carimbados.
Pré-impressão, Impressão e pós-impressão pelo atelier Serra Nevada

Sobre Estátua Falsa:

Na [20ª] Feira Laica [...], os originais desta publicação encontravam-se expostos. Não seguiam, de forma alguma, a ordem pela qual surgem no “espaço folheado” do fanzine, o qual insufla sobre a ordem dos desenhos uma estruturação mais nítida, pelo menos na relação que cada “bloco” opera no seu interior (a que poderíamos chamar “o homem que escava”, “estátuas”, “comboio suburbano” e “diálogos agónicos”) e, quem sabe, entre uns e outros. Formas de desenhar, temas, materiais, estruturações compositivas, e até mesmo preocupações de tom e humor apresentam-se de maneiras distintas, em diversidade. Encontramos aqui mais uma vez, tal como em Fábricas, baldios, algumas constantes preocupações: a relação com a história de arte, uma taxonomia livre, a inscrição oblíqua da autobiografia do autor, da sua tarefa de criação, ou notas sobre reflexão, sob a forma de vinhetas gráficas, que terão maior ou menor grau de simbolismo. A citação de elementos naturais, como a lama, o barro, a água como matérias-primas e plasmáveis, para criar obras. E a flutuação entre uma abordagem virtuosa, multímoda, controlada da arte do desenho, e uma gestualidade mais sumária, de esquisso, não vá a ideia evolar-se.
Pedro Moura, in Ler BD



# 016: SOBREVIDA

de Carlos pinheiro e Nuno Sousa

Livro no formato 16.5x23cm com 24 páginas impressas em offset a 1/1 cores e 24 páginas impressas em offset a 4/4 cores sobre papel Munken Lynx/Pure 130gr.Capa impressa a 4/0 cores em cartolina Trucrad 240gr. com plástico mate. Livro cosido e brochado.


APRESENTAÇÃO

Publicação de natureza híbrida, concilia o desenho com a narrativa sequencial. Carlos Pinheiro trabalhou a sua parte a preto e branco, num desenho texturado e solto, e Nuno Sousa utiliza abundantemente a cor, para criar uma obra intensa em que poesia e metáfora se conciliam para abordar a realidade, por vezes pungente. As relações entre as duas histórias são ambíguas e ricas em leituras a vários níveis.





# 015ICEBERG 

de José Feitor


Formato A5; 44 págs.; impressão CMYK Epson Aculaser em papel Rank Xerox reciclado, 80 g.
Edição de 55 exemplares assinados e numerados, cada um dos quais acompanhados por uma carta de jogar.
Impressão e pós-impressão pelo atelier Serra Nevada.



APRESENTAÇÃO


Entre 2005 e 2008, no seu blog Escroque, José Feitor publicou uma série de ilustrações acompanhadas de pequenos textos escritos após a publicação da imagem, de improviso, numa inversão da tradicional relação entre ilustração e texto. A associação nem sempre é óbvia e, muitas vezes, é mesmo imperceptível, quando não bizarra. A imagem pode ganhar então sentidos que lá não estavam antes.
Iceberg apresenta uma série desses exercícios gráficos.

Acerca de Iceberg:



Tratando-se de uma colecção de várias ilustrações “soltas” que Feitor havia criado para o seu blog Escroque, há pelo menos duas características que se tornam facilmente perceptíveis. A primeira é a contínua obsessão de Feitor por desenhar animais, procurando nestes aquilo que podem revelar do homem não só enquanto animal, como besta. A segunda é a dimensão política que estas imagens, sobretudo sendo aliadas a breves comentários que tanto têm de legenda, como de poema, como de prosa “gin tónica”, como de ditame, assumem desde logo. Curiosamente, quase que se poderiam ler estas imagens como exercícios práticos e alistados do cartoon satírico-político, à moda de The Masses ou Simplicissimus. É verdade que não há “alvos” directos e reconhecíveis (salvo duas excepções, internacionais), sendo mais pautados pela generalização, mas não são por isso menos contundentes, como aquela imagem do“jovem” cujo interior da cabeça é um tijolo. E esta publicação não é tijolo que parta janelas: abre-as.


Pedro Moura, in Ler BD




#014: O MORTO FOI AO BAILE

Formato A5; 40 págs; impressão CMYK Epson Aculaser; 200 exemplares numerados
Impressão e pós-impressão pelo atelier Serra Nevada
Concepção, selecção, paginação, capa e texto introdutório de José Feitor

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APRESENTAÇÃO
Esta publicação reune uma selecção de capas da colecção policial Grandes Mistérios, Grandes Aventuras, da editora Romano Torres, publicada ao longo da década de 1940, numa altura em que, de acordo com o regime, não existia criminalidade em Portugal. De forma a não defraudar os leitores com a perspectiva de impláusiveis crimes em Freixo de Espada à Cinta ou Alcabideche, todos os volumes da colecção foram assinados por nomes estrangeiros (embora na realidade a maioria fosse escrita por um casal português, Gentil Marques e Maria Amália Marques) e os enredos tinham lugar em locais distantes e atraentes. As capas, impressas em offset em tons de azul, são de uma enorme pujança gráfica. Infelizmente, nenhuma está assinada. O editor José Feitor convidou os artistas gráficos André Lemos, José Cardoso, Luís Henriques e Jucifer a reinterpretar livremente a sua capa preferida.







#013: SATANIC HOLIDAYS/ DAYS OF CELEBRATION

de José Cardoso


Formato: 20 x 14 cm / 28 páginas / Impressão laser CMYK (Epson Aculaser) em papel branco de 100g / Capa impressa a preto sobre cartolina Guarro preta de 160 g / Edição de 99 exemplares numerados

Execução gráfica: José Feitor, nos ateliers de Sta. Justa, Lisboa


APRESENTAÇÃO


Depois de Pedro Lourenço, com Blues Control, a bola passa para José Cardoso (membro do colectivo Salao Coboi): Satanic Holidays/ Days of Celebration é um verdadeiro exercício de deboche gráfico: uma longa série de estampas coloridas e tramadas em que a apropriação gráfica, alimentada por sobreposições, distorções e pelos inimitáveis apontamentos gráficos do José Cardoso (Fafe, 1984), nos remete para imagens cuja familiaridade é apenas aparente.

Neste all-colour zine, o Grande Satã vai de férias ao Hawaii!


Acerca de Satanic Holidays

Uma colecção de imagens heteróclitas, a maioria aparentemente roubadas de postais do Hawai, com belas raparigas, locais e da middle America, nos seus trajes sensuais e rodeadas das luxuriantes paisagens tropicais. Cenas de oferenda, alohas, festas, surf e camisas estampadas. Aqui ali, o decote generoso faz promessas de prazeres mais íntimos, aproxima-se de outros tons. Cada imagem mínima e digitalmente retocada, retorcendo, distorcendo obscurecendo e embrutecendo os rostos das raparigas. Ao ponto em que se parecem com monstros, ou daqueles espíritos mal capturados por fotografias de longa exposição. Misturadas por entre estes retratos, objectos vários, de canecas a ídolos, estátuas e totems, a maioria deles de uma família mais ou menos coesa de culturas antigas, violentas, ritualistas e sangrentas. Aos poucos, o sentido geral da publicação forma-se. Quase todas as imagens têm ainda uma outra camada de intervenção, sob a forma de pequenas estruturas gráficas, manchas, símbolos e elementos coloridos, alguns deles como rostos de criaturas queridas, típicas de um certo merchandising. Uns poucos parecem gatos, mas os outros são fantasmas, monstros, sóis e chamas. Numa imagem vemos um double whopper sorrindo, noutra um casal de storm troopers do Star Wars, de camisas floridas. A última imagem, um símbolo satânico, por sobre uma cena idílica na ilha vulcânica. O vulcão. Agora é que nos apercebemos que sob o solo desta paragem aparentemente paradisíaca existe uma história da violência da terra. Que se expressa nestas imagens como se José Cardoso tivesse tido acesso ou tivesse inventado uma câmara à la Nikola Tesla, e capturasse os demónios que se escondem na dobra dos raios de sol. Esta é uma brochura que se distribui numa agência de viagens que leva a sério a ideia do “Culto ao sol”.

Pedro Moura, in Ler BD





#012/MgW DERBY


Vários autores



Ficha técnica: Formato: 27 x 30 cm / 24 páginas / Capa: Impressão serigráfica em papel Vidia de 300g / Miolo: Impressão serigráfica sobre papel Fabriano Color e Fabriano Academia de 160 g / Edição de 150 exemplares, carimbados e numerados



APRESENTAÇÃO


Derby é fruto de um projecto conjunto Imprensa Canalha/ Atelier de impressão Mike Goes West. Trata-se de uma publicação inteiramente serigrafada de carácter inédito, já que as imagens que a constituem foram criadas directamente nos quadros de serigrafia, a pincel. Para o ilustrador o desafio é grande, pois este método {MÉTODO DIRECTO} obriga a um gesto de grande espontaneidade e não permite grandes correcções. Desenhos urgentes e certeiros, portanto. Foram convidados a participar neste projecto 10 ilustradores: cinco de Lisboa (André Lemos, João Maio Pinto, Filipe Abranches, Jucifer e Luís Henriques) e cinco do Porto: Marco Mendes, Miguel Carneiro, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro, e Zé Cardoso. O texto é de Pedro Vieira de Moura. A capa, contracapa e guardas são de José Feitor.


A primeira parte do projecto teve lugar nos dias 15 e 16 de Dezembro de 2007, durante a Feira Laica no Porto, que decorreu nos Maus Hábitos. Durante esses dois dias, os ilustradores criaram duas imagens cada, que corresponderiam a uma dupla página da publicação. Os visitantes da Feira assistiram in loco a todo o processo.




011: RAÇAS HUMANAS



De José Feitor



Desenhos e paginação: José Feitor

Formato: A5/ 32 páginas / Impressão laser grayscale (Epson Aculaser) em papel reciclado Xerox de 80g / Capa carimbada manualmente em papel de 300 g / Edição de 150 exemplares numerados/ inclui tradução inglesa em folha volante



APRESENTAÇÃO


Raças Humanas apresenta um conjunto de ilustrações para um texto de Ernest Granger, publicado em 1924, que discorria sobre a diversidade humanas com base nas ideias da época, muitas delas ainda hoje por ultrapassar. O fanzine abre com uma BD de 2 pranchas inspirada numa história que surge relatada no livro Armas, Germes e Aço. O destino das sociedades humanas (ed. Relógio d'água), de Jared Diamond, sobre o encontro fatal entre maoris e morioris, nas ilhas Chatham, no século XIX, que funciona como uma lúcida metáfora sobre aquilo que, realmente, define a diversidade humana: a luta constante pelo domínio dos recursos.

Este volume constitui a última parte de uma trilogia iniciada com O Mundo dos Insectos e continuada com Animais!, uma dissertação gráfica à volta da natureza humana, na sua interacção com os outros animais e consigo própria.



Acerca de Raças Humanas:

(...) as Raças Humanas, de José Feitor, cuja verve humorística de semblante sério se desvia pelos discursos ultrapassados em torno das razões últimas das diferenças culturais e étnicas entre os seres humanos. Empregando textos do contemporâneo Jared Diamond, Feitor cria uma curta banda desenhada antropológica, e com textos do mais vetusto Ernesto Granger, num português dos anos 30, cria como que ilustrações de enciclopédia jovem da mesma altura (aliás, a edição original de Granger, como informa Feitor, era de uma colecção dessa natureza), algumas cujos “erros” de interpretação se tornam hilariantes, outros procurando antes ganhar a força de comentário político.



010: BLUES CONTROL

de Pedro Lourenço

Desenhos e paginação: Pedro Lourenço
Formato: 20 x 14 cm / 32 páginas / Impressão laser grayscale (Epson Aculaser) em papel branco de 100g / Capa em cartolina Guarro de 160 g / Edição de 150 exemplares numerados

APRESENTAÇÃO

Pedro Lourenço (Lisboa, 1976) inicia aqui uma série de edições dedicadas a criadores gráficos portugueses. A convite da Imprensa Canalha, cada ilustrador preenche, com total liberdade, 32 páginas.






Pedro Lourenço vive em Lisboa e reparte o seu tempo entre a música e a ilustração.
Link: ink-and-paper.blogspot 







009: CABEÇA DE FERRO



vários autores

Formato: 27 x 20 cm / 64 páginas / Impressão 1/1 preto offset {Heidelberg} em papel Popset 'Pérola' de 170g / Capa em papel Fedrigoni de 380 g / Acabamento da capa em relevo seco/ Encadernação com parafusos / Edição de 500 exemplares

Direcção, conceito gráfico e paginação: José Feitor






APRESENTAÇÃO


O livro Cabeça de Ferro é uma antologia essencialmente visual sobre um dos processos mais marcantes da curta história da Humanidade e aquele que anuncia de forma mais ruidosa a entrada no Mundo Contemporâneo: a Revolução Industrial. Vários ilustradores foram convidados a expressar, a preto e branco, a sua relação com o maravilhoso e terrível mundo das máquinas. O texto introdutório é do arqueólogo Luís Luís. Participaram os ilustradores André Lemos, Dr. Orango, Bruno Borges, Pedro Burgos, Richard Câmara, Filipe Abranches, Jucifer, Luís Henriques, Zé Cardoso, Rui Vitorino Santos, Pedro Lourenço, João maio Pinto, José Feitor, Joana Rosa Bragança, Rosa Baptista e Júlio Dolbeth.

Os primeiros 200 exemplares sairam acompanhados pelo CD Amálgama Sonora Industrial, uma colagem sonora de Filipe Leote que lhe serve de banda sonora.



008: UMA MESA SÃO TÁBUAS

Micro-livro de Ana Mendes


Conceito gráfico, paginação e execução artesanal de José Feitor; 
Formato: 10X10 cms; 28 páginas; Capa dura produzida artesanalmente, com lombada reforçada por fita de encadernação Tesa; Miolo: Impressão a laser [Epson Aculaser] e carimbagem manual em papel cavalinho; Edição de 50 exemplares Numerado; Volume integralmente produzido nos Ateliers de Santa Justa

Março de 2008


APRESENTAÇÃO


O livro Uma mesa são tábuas é composto por 11 histórias criadas a partir de carimbos antigos com imagens de frutos – cerejas, morangos, maçã e figos, entre outros. Todas as histórias versam sobre relações – amorosas, de amizade, cumplicidade ou altruísmo – estabelecendo-se uma relação com o fruto (exemplo: figo/maturidade).

O conjunto é formado por uma imagem, acompanhada da respectiva história. As narrativas são pequenas, acompanhando a dimensão do livro (10X10 cm) e com o objectivo de funcionarem como pequenas sinopses, que podem dar origem a histórias maiores, criadas pelos leitores.

O objectivo deste livro visa, por um lado, contar histórias, e, por outro, recuperar os carimbos antigos, bem como o acto de imprimir manualmente. Os carimbos que se usavam na escola primária, cumpriam objectivos didácticos, sendo muito “tácteis”. A par do desenho, existia a relação que o aluno criava com o papel, com o carimbo e a fantasia que surgia a partir daí – o redigir, o pintar, o ordenar, o cortar.

Aparte a impressão, o livro foi concebido de forma artesanal, com impressão manual dos carimbos e montagem, como forma de recuperar o ritual que existia de concepção dos livros e agendas pelos alunos nas oficinas de trabalhos manuais.


Um agradecimento muito especial ao Manuel Leitão e à Dina Piçarra.





# 007: FLIMS


de Arthur Van Der Hella

DVD com 11 filmes em formato digital realizados durante o ano de 2007


Alinhamento:

Berlusconi {2:50} Isto {5:17} Renato {7:34} Alberto {8:34} Wrong Address {7:17} Tony S {14:16} Mistério Oliveira {4:42} Poesia {4.50} Pai {5:52} Vingança Divina {5:11} Opel Meriva Fun {6:27}

TEMPO TOTAL: 45:12

APRESENTAÇÃO

Artur Varela {Almodôvar, 1937} aprendeu escultura em Lisboa, passou por Paris {Atelier Adam} , estacionou depois durante duas décadas na Holanda e regressa a Lisboa no final da década de 80. No decurso desse périplo explorou não só a escultura em madeira e metal, mas também a pintura, o desenho, a banda desenhada e o vídeo. Após as experiências com o formato super 8 no início da década de 70 {PORTUGAL 1973} Varela regressa agora ao video, munido de uma máquina digital de topo mas usando métodos e abordagens arcaicas, das quais retira todo o proveito. Partindo da animação de imagens e formas estáticas e fazendo uso dos códigos próprios da Banda Desenhada, Arthur Van der Hella cria narrativas hilariantes sobre figuras e assuntos cruciais dos nossos quotidianos (de Nossa Senhora de Fátima a Berlusconi, de Salazar ao Opel Meriva Fun).

José Amaro Dionísio sobre o trabalho de Artur Varela {texto para exposição de 2006}:
Num país dominado pela cultura de Estado e onde a cultura de Estado faz o mercado e o currículo Artur Varela prossegue há décadas uma obra silenciosa e silenciada. Ainda bem para ele. O tempo é de pose e best-sellers, kitsch e entretenimento, decoração e relações públicas, de parecer e aparecer. E num tempo assim os criadores, como os leões em banquete de chacais, bem podem ficar ao largo. Nas artes e nas letras como na política e no resto há em Portugal artistas a mais para tão pouca inquietação. Que tem isto a ver com o trabalho de Varela? Tem tudo. Porque a superfície lisa desse planeta de inexistências relevantes esconde a violência do mundo que o sustenta. E violência é a matéria-prima do trabalho de Varela. Ontológica, nodal. O que a sua pintura e escultura trabalham são formas que deformam, cores que se constrangem, transfigurações do que supostamente está adquirido nos manuais do mito e da história, desagregação do sagrado, estruturas antagónicas, movimentos suspensos ou em queda. A série de bebés donde saíram as esculturas para esta exposição sublinham bem isso: são bebés, mas velhos. Corpos recém-nascidos, mas disformes. Inocência, mas conjurada. Princípio, mas já fim. Esta dilaceração de ringue é uma transposição directa das crianças a óleo que pintou antes de passar às esculturas, mas é sobretudo um tema recorrente em toda a sua obra, como o demonstram nos últimos anos a paródia à desconstrução dos painéis de S. Vicente a que chamou “Mare Portucalae” ou a sequência dos torsos de 1993.

#006PORTUGAL 1973

de Artur Varela
DVD com 10 filmes realizados em formato super 8 entre 1973 e 1974

Alinhamento:
Uma Família Holandesa {4:18} Perfil dos pintores Manuel Baptista, João Hogan e José Escada {10:30} Le Printemps en Algarve commence en Janvier {4:12} As Maravilhas da Natureza - Animais Nossos Amigos: o Burro {5:25} Tourada {3:33} Homem com Peixe {4:62} Televisão {3:19} Lagosta {3.65} Viva Franco {3:29} Marcelo {3:70}
TEMPO TOTAL: 45:12

APRESENTAÇÃO

Artur Varela {Almodôvar, 1937} aprendeu escultura em Lisboa, passou por Paris {Atelier Adam} , estacionou depois durante duas décadas na Holanda e regressa a Lisboa no final da década de 80. Entretanto havia explorado não só a escultura em madeira e metal, mas também a pintura, o desenho, a banda desenhada e o vídeo. Os filmes integrados em Portugal 1973 enquadram-se na exploração do formato super 8 e na postura da observação algo distanciada e cínica dos costumes indígenas. Parte destes filmes foram projectados pela primeira vez em 1973, aquando da exposição de Artur Varela na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. Muitos anos mais tarde, em 2000, os filmes seriam de novo exibidos no âmbito do projecto Slow Motion, nas Caldas da Rainha, comissariado por Miguel Wandschneider.
Sobre os filmes escreveu João Pinharanda [Público, 28/Abril/200]:
Artur Varela, como uma estada prolongada na Holanda (onde residia desde I964), surgiu em Lisboa com uma surpreendente exposição na SNBA, em 1973, da qual o material filmado era parte integrante. Há uma ironia essencial na sua obra. Os sucessivos "Perfis" de artistas portugueses (Manuel Baptista, João Hogam e José Escada) tomam o título à letra e filmam , de perfil, nuns intermináveis 3 ou 4 minutos, cada um dos personagens. Já "O burro" tem um plano frontal de 5 minutos que acaba por humanizar a presença do animal. "O homem e o peixe", Souvenir de Vacances", "Le printemps en Algarve commence en Janvier", "Uma noite de televisão" ou "Marialva", alargam a visão a todo o país ironizando o seu provincianismo, os "clichés" turísticos, os comportamentos sociais. Atitude que é levada ao campo da política com "Marcelito", imagens mudas de uma "Conversa em Família", já de 1974, ou em "Viva Franco", do mesmo ano, em que uma frase gravada na paisagem espanhola (espécie de ingénua "Land Art" fascista) é sucessivamente aproximada e afastada em violentos efeitos de zoom.



#005: ANIMAIS!

de José feitor

Formato: A5; 32 páginas
Capa A: linogravada (3 cores) sobre cartolina amarela de 200 g {limitada aos primeiros 34 exemplares}
Capa B: Impressão laser sobre papel Canson creme 200 g, com autocolante de 32 mm
Miolo: Impressão a laser [Epson Aculaser] em papel de 90 g.
Bónus: Cada volume contém um postal carimbado e um cromo de um animal, com a respectiva descrição.
Edição de 100 exemplares numerados
Volume integralmente produzido nos Ateliers de Santa Justa

APRESENTAÇÃO

Animais! apresenta um conjunto de imagens e textos sem relação aparente entre si. Os textos são retirados de legendas de livros de divulgação científica destinados às famílias, populares nos anos 70, e abordam temas relacionados com a adolescência, alimentação ou velhice entre os humanos. Nas imagens surgem animais antropomórficos e humanos animalizados em constante interacção. Neste aparente caos, uma mensagem surge: Foi-se o instinto, ficou o apetite. O homem tenta a todo o custo afastar-se do resto do reino animal e nessa ânsia esquece o essencial: a sua própria natureza. Sim, nós também estamos nas tabelas de Lineu.
A abrir o volume, um texto retirado da obra de 1872, The Expression of the Emotions in Man and Animals, de Charles Darwin.
Em Animais!, José Feitor aprofunda o conceito de apropriação gráfica, utilizando indiscriminadamente imagens e textos alheios numa combinação única. Acaso e conceito coabitam neste projecto gráfico.



004 BABINSKI 

de José Feitor e Luís Henriques


Babinski apresenta um texto que tem por base uma parte do livro O Golem (pub. 1915) do escritor Gustav Meyrinck, adaptada por José Feitor. As 37 ilustrações são de Luís Henriques. A paginação é de José Feitor.
Formato: 31 x 11 cm aprox.; 80 páginas; Impressão 1/1 preto offset {Heidelberg} em papel Popset 'Osso' de 170g; Capa em papel Keaycolour Liso Areia de 300 g; Edição de 500 exemplares.



APRESENTAÇÃO

Babinski apresenta-nos o caminho que vai da perdição à redenção na figura de um patético e pragmático psicopata. Para Babinski, o arrependimento de nada servirá, já que a sociedade, que primeiro o condenou, se servirá depois da sua imagem para saciar a sua inesgotável sede de ídolos.


Informação sobre os autores:

José Feitor (1972, Coimbra)
Professor, ilustrador e editor. Foi responsável pelo fanzine Zundap. Tem sido o impulsionador de uma série de projectos ligados à divulgação das artes gráficas como a exposição Zurzir o Gigante (Interpress, 2005) e as várias iniciativas levadas a cabo pela organização da Feira Laica. Criou o projecto editorial Imprensa Canalha. É membro fundador da Oficina do Cego, associação de artes gráficas.

Luís Henriques (1973, Lisboa)

Faz ilustração infantil: A Verdadeira História da Alice, A Família dos Macacos, Os miúdos do piolho / Os piolhos do miúdo, com textos de Rita Taborda Duarte e A Canção dos Piratas com texto de João Pedro Mésseder, obras editadas pela Caminho.
Faz Banda Desenhada: desenhou Tratado de Umbrografia, o primeiro álbum da série Black Box Stories com argumento de José Carlos Fernandes.
Participou no fanzine Néscio e em eventos colectivos de ilustração como Zurzir o Gigante, Tenho Visto Carteiristas ou Laica no Espaço. É membro fundador da Oficina do Cego, associação de artes gráficas.



#003 BELO CADÁVER


desenhos em registo de cadáver esquisito de Filipe Abranches, José Feitor, Bruno Borges e André Lemos, com Marcos Farrajota  e Joana Figueiredo e participações pontuais de Miguel Coelho


Formato A5; 26 páginas; Impressão digital em papel de 100g; Capa em cartolina branca de 200 g .
Edição limitada a 50 exemplares numerados.

Cada exemplar contém uma gravura igualmente numerada, executada em impressão tipográfica numa máquina Heidelberg.


APRESENTAÇÃO

Fruto de um serão informal que começou com frango de churrasco e acabou com sakê, os desenhos do Belo Cadáver são resultado de um processo espontâneo, livre e compulsivo. As folhas foram passando de mão em mão e cada desenhador foi preenchendo o vazio, a partir das premissas já lançadas por outros. Desta labuta estonteante resultaram 32 desenhos, muito diferentes entre si. Entre composições que tanto têm de belo como perturbante, pastiches bem humorados, embriões de narrativas e bestiários, o espectro do belo cadáver é amplo. Desenho crú e bruto.
O texto que precede os desenhos, criado à posteriori por Miguel Antunes, é ele próprio um texto-frankenstein. Uma força externa dá unidade a um conjunto informe de pensamentos que se escapam da cabeça de um homem que caminha não se sabe para onde.





#002 MUNDO DOS INSECTOS

de José Feitor


Formato A4; 20 páginas; Impressão a laser em papel de 100g; Capa em cartolina amarela de 180 g; Título carimbado em etiqueta autocolante; Edição limitada a 50 exemplares numerados e assinados pelo autor; Cada exemplar contém uma fita apanha-moscas. Segundo o fabricante, esta é uma "armadilha com cola natural para controlo eficaz de moscas".





APRESENTAÇÃO


O Mundo dos Insectos resulta de uma série de experiências gráficas que o autor tem vindo a realizar tendo como inspiração o mundo animal, na sua diversidade morfológica e de comportamentos. A tentação de atribuir a animais irracionais acções e atitudes humanas é imemorial, em ambos os domínios da História da Arte e da literatura. Nos nossos dias, em que os cientistas afirmam que o Homem já nada guarda de instintivo, os etólogos desvendam até ao mais ínfimo pormenor os comportamentos dos outros animais e a genética avança inexoravelmente, este é um campo de trabalho cada vez mais interessante.
No Mundo dos Insectos, o carácter depredatório, voraz e agressivo da vida destes animais não deixa de nos fazer recordar aspectos da vida nas sociedades humanas. No entanto, ao passo que os insectos não podem fazer escolhas nem conhecem a ética, o que explica o seu comportamento guiado apenas por mecanismos instintivos relacionados com a sobrevivência e a reprodução, o comportamento do Homem é verdadeiramente insondável. A fêmea do Louva-a-deus devora por vezes o macho durante a cópula porque precisa de se nutrir para que o processo de reprodução decorra da melhor forma quando nem sempre é fácil conseguir comida.
Os desenhos da série Mundo dos Insectos foram realizados entre Março e Maio de 2006, a partir de livros científicos e educativos. Foram desenhados directamente (sem esboço prévio) em folhas de papel cavalinho com marcadores  Edding de várias espessuras.
Os outros trabalhos de José Feitor relacionados com animais (nomeadamente a série genética) podem ser vistos no blog escroque.




#001 NÉSCIO, Revista Portuguesa de Idâias   



vários autores

Formato A5; 44 págs; Impressão a laser em papel de 80 g; Capa em cartolina cinza de 160 g; Volante em papel amarelo de 80 g (bd e texto de Marcos Farrajota; Cd Amálgama Sonora Nacional, com colagem sonora de Filipe Leote (Portugal, de Hermínia Silva aos Ocaso épico); Conceito gráfico de José Feitor; Colaboradores: Miguel Antunes, Luís Luís, Paulo Carvalho, João Bragança, Adolfo Luxúria Canibal, André Lemos, Bruno Borges, Joanna Latka, Luís Henriques, João Maio Pinto, Bàrbara Rof, Rosa Baptista, Filipe Abranches, Joana Figueiredo, Marcos Farrajota, Filipe Leote e José Feitor;




APRESENTAÇÃO


O projecto Néscio nasceu com o propósito de fazer um exercício gráfico de observação e comentário sobre o quotidiano do país. Esta ideia resultou, sem dúvida, do contexto conjuntural que se vive em Portugal desde a década de 90: a estagnação económica, acentuada pela permanência dos quadros mentais do analfabeto-catolicismo e pela sensação angustiante do "isto não vai lá", têm criado um vazio que se projecta e expande pelos mais variados quadrantes da vida portuguesa. Aquilo a que a crescente ordem dos opinadeiros de jornal (outro sintoma de decadência) chama a "crise identitária".

Por outro lado, muitos dos artistas gráficos nascidos na ressaca de Abril e do Prec raramente tratam o país e os seus problemas no seu trabalho, preferindo muitas vezes lidar com a digestão das referências culturais e estéticas das culturas europeia e americana que marcaram a nossa geração.

 O resultado prova que vale a pena transformar o quotidiano português numa fonte inesgotável de inspiração, tanto no que diz respeito aos conteúdos como às imagens.